“ A emoção mais bela e profunda que um homem pode sentir
é a sensação do misterioso, onde se formam as bases
das tendências mais talentosas na arte e na ciência.
Quem não experimentou esta sensação,
parece-me, se não um morto, pelo menos um cego “

Albert Einstein
- Nöbel da Física, 1921 -

NARRATIVA EXISTENCIAL

– DESAFIOS EM ANÁLISE –

Nasce em Lagos, em Abril de 1947 – Indivíduo do sexo masculino, de sua  graça Carlos Alberto de Sousa. Porque, aparece mais cedo do que o esperado, só é registado em Junho seguinte. A gestação, de apenas sete meses, redunda num peso de oitocentos gramas, o que, convenhamos, sendo  demasiado débil para a época, faz jus à sabedoria popular: “o que tem de ser tem muita força”. Enfim! Uma Vida que, apesar do início pouco auspicioso, prospera emoldurada no que hoje é designado por “aprendizagem ao longo da Vida” e assume como alquimia de oportunidades predeterminadas por factores que escapam à sua vontade. Entretanto, o processo de crescimento ensina-lhe que as idiossincrasias não normalizadas incomodam a lei alheia, e que, a normalidade persegue os costumes – e as fantasias – dos que não se encaixam nos trilhos de manadas e quadrilhas. O preço que o jovem paga pela manifestação do seu direito à diferença ilustra-o bem, mas… a diferença vale a pena se a alma…é audaz. Talvez por necessidades de busca do seu próprio equilíbrio, é desde cedo, que nutre particular simpatia pelo insondável / oculto / contemplativo, área auspiciadora e de progressão dos seus níveis intuitivos (avaliados acima da média). Isso mesmo, ajuda-o a escapar do querer dos outros, a contornar turbulências e sobrevoar águas infestadas de tubarões e, subtilmente, a migrar para “outras paragens” / tocar o êxtase – atitude que se revela de suma importância na consecução do próprio bem-estar.



NOTA TRANSVERSAL

Aproveita o ensejo para sugerir a progenitores, educadores e demais figuras de autoridade que, nas suas inquietações com as descendências reflictam sobre as causas das negações dos vindouros à formatação e à normalização, da não obediência às “justiças” familiar e social, e os por quês de, desde cedo, darem sinais de borrifar-se para a impostura. Esses indivíduos, representantes da posteridade (maioritária e erradamente confundidos com adultos pequenos) são, sobretudo, únicos, sensíveis e autênticos. Assiste-lhes, por isso, o direito à generosidade, à compreensão e à valorização, a sentirem-se integrados, amados e felizes. Rotulá-los, simplesmente, de inconformados, hiperactivos, desatentos, disléxicos, desviantes e objectos de necessidades especiais, é um estigma condenatório de difícil superação, o que, tarde ou cedo, tem uma factura excessiva. Os adultos são deputados de uma sociedade que desaproveita os escalões etários não produtivos, o que patrocina, em larga medida, muito do mal que afecta a arraia-miúda (também ela), carente e insegura. Essa escassa massa humana, de compleição aparentemente pequena é ponderada, boa ouvinte, livre, sonhadora, idealista e apaixonada, detentora de um elevado sentido de justiça e ávida por sentir-se útil. É dela que podemos reaprender a empatia e a benevolência e, em troca, ajudá-la a crescer de forma salutar, dispensando-lhes atenção, propiciando-lhes confiança, segurança e contentamento. Tudo poderá melhorar se, os mais velhos, experimentarem, de vez em quando, reactivar os seus ideais, abrir-se à aprendizagem e à renovação, colocar-se nos lugares dos seus filhos (dos menores em geral), pôr de parte ideias preconcebidas, ser originais e singulares, dar-lhes oportunidades de preparar o sentido da responsabilidade e sentir-se integrados – participação activa nas questões da família. Não é a dominação física que leva à evolução humana mas o debate dos méritos de determinadas concepções. O desígnio primordial do progenitor, do educador e das instituições é esse: educar / formar para o desempenho da boa cidadania nos domínios de ambiente e emoções. Se nos disponibilizarmos para resolver a polarização da opinião e integrar as melhores ideias de ambos os lados, um dia, todos poderão sentir-se seguros, integrados, completos e sãos – muito mais do que obedientes e competitivos, mas…tristes. A educação ao longo da Vida passa, também pela educação de uns com os outros. O trabalho nunca está terminado. Logo, Sonhar acordado não é um sintoma de doença, mas de vitalidade, afectividade e sintonia com o sobrenatural, revelação de boas capacidades para fluir com a Vida. Não sonhar acordado é que deve preocupar, pois coloca-nos no fio do falhanço. Se queremos, na realidade, uma sociedade aberta, livre e produtiva, que nos permita realizar os sonhos mais profundos, é fundamental dar incentivos ao auto-respeito e à seriedade, para que, nesses campos possamos cultivar e, sem constrangimentos:

  • 1. Reconhecer que sonhar acordado / estar na lua, é um recurso valioso a aproveitar e desenvolver de forma eficiente – perscrutar as razões ocultas das ocorrências;
  • 2. Viver os nossos sonhos com espírito de criança para que a hipocrisia (corrupção intelectual) deixe de esconder, sub-repticiamente, o que deseja instintivamente – tudo será claro e intuitivo;
  • 3. Perceber e apreciar a linguagem do coração como a única que conduz à paz interior – sem os constrangimentos de vulnerabilidades inatas.


15

de Abril de 1974 –  Um genuíno sopro intuitivo fá-lo  trocar a sua primeira viagem a Londres, por – imagine-se – uma consulta a um astrólogo e vidente brasileiro que  passa por Lagos: Ivan Trilha, de sua graça. A experiência deixa-o perplexo, porquanto os relatos do passado são bem detalhados e as antevisões (de um futuro distante) deveras prometedoras. Só vinte e sete anos passados, essas predições começam a anunciar-se, até que, em 2003, se manifestam as primeiras evidências. Para satisfazer curiosidades, relembra (por aproximação) fragmentos do relato do prestidigitador, Trilha:

- “…Mudança radical de vida…longínqua” (...) “transformação benéfica… uma actividade pouco conhecida...que vai suscitar o interesse de muita gente (...) “tem a ver com a saúde das pessoas…” (...) “vais considerar que isso acontece tarde, mas…é quando estás preparado...”.

Entretanto, a Vida continua inexorável, outras coisas preparam o caminho...

Bacharel em Arquitectura de Interiores e Artes Decorativas + Licenciatura em Design Urbano – (ESAD / FRESS – Lisboa) – Segue à boleia com a Vida que, o apeia na arquitectura de interiores e intervenção urbana durante mais de vinte e cinco anos, até que, em 1994 – então com 47 anos e a impressão de que tudo está certinho e para permanecer – começa a perceber que a Vida não é estática. Sente inquietação...apelo de mudança, mas nessa altura desconhece que nada se resolve com um simples estalar de dedos e que o imprevisível é, enfim, parte integrante do processo existencial. Sem avaliação prévia das causas da inquietação, enveredo pelo carreiro fácil das ideias feitas, o que – agora compreende-o tão bem – por contrariar as suas intuições, terá a lição justa. Realmente, espalha-se ao comprido, porque segue os reflexos do espírito da época. o que, de modo algum lhe assenta: ei-lo, de um momento para o outro, no figurão de…empresário. O desvario não ultrapassa isso mesmo e, num ápice, jaz por entre tsunamis de papeladas, registos, livros de…e de…mais mensalidades, pagamentos por conta. Resumindo, a “actividade empresarial” e o estatuto de “empresário” não ultrapassam a fantasia, mas... avolumam-lhe despesas e deveres que cumpre até aos limites. O empresário finou-se no “crematório” doméstico (qual fogueira das vaidades) e, hoje, noutra dimensão, ri de si mesmo com satisfação e, da lição, recorda, sempre, a velha metáfora do sapateiro remendão, entre outras coisas boas, três aprendizagens que a seguir destaca:

  • 1. O erro tem a virtude de ser o nosso melhor mestre;
  • 2. O passado serve para aprender e, de imediato, esquecer;
  • 3. No caminho do êxito, o fracasso é, apenas, um desvio.


Professor de Artes Visuais – PQND / Ensino Público (1994 – 2004) – É a duras penas que percebe que para cair na real tem de aceitar os desafios e correr todos os riscos. Se… a docência o motiva, desta feita segue o impulso intuitivo. A educação, apesar de “renovada”, bem depressa lhe desvanece o ânimo. Mas…não abandona a convicção de “melhoras”. Transcorridos dois anos, e porque está no lugar certo, surge a oportunidade: assistir ao II Congresso de Criatividade Aplicada, promovido pela da Escola Superior de Educação de Beja em parceria com a Universidade de Santiago de Compostela – mais o alto patrocínio da Presidência da República. O entusiasmo e a curiosidade são marcantes, mas… não se desenvencilha facilmente do agrilhoamento das rotinas. Na luta consequente consegue libertar a mente e inscrever-se no evento – nos limites do prazo de inscrição. Então, num frio e solarengo dia de Fevereiro de 1996, zarpa em direcção a Beja. A vivência desses três dias de Congresso de Criatividade Aplicada redunda numa tão imprevisível quanto extraordinária celebração pessoal. O chamado efeito de “tiro e queda” não se faz esperar e, logo em Julho seguinte, ingressa na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade galega.

Mestre em Criatividade Aplicada – Universidade de Santiago de Compostela – Mais do que os benefícios do grau académico e as competências adquiridas, enaltece as experiências orgásticas com o sublime, a espontaneidade e o potencial criativo desconhecido, o que se revela de utilidade incalculável para a proficiência das ideias, das pessoas e dos produtos. A aproximação, a cumplicidade do grupo criativo, a experiência de padrões de reacção destinados a fundar e cimentar a experiência democrática com outros “visionários” desconhecidos das cinco partidas do mundo (que inicialmente olha com putativo desdém) são contributos preciosíssimos para o enriquecimento dos seus horizontes. Experimenta uma dura vergastada psicológica que o obriga a substituir a arrogância por espontaneidade e humildade, autenticamente renovadoras. Em Compostela, os contratempos e as angústias financeiras esbatem-se ante a motivação, a experiência deslumbrante e a gratificação (que continuam) apesar de uma exigência académica inaudita – envolvimento de trabalho com responsabilidade, liberdade e divertimento. Tal como descortinara, antes, em Beja... Viver não custa... A trama transformadora desperta-o para o sentido das coisas e a, sobre elas, lançar um olhar novo.

Reconhecimento: reitera, aqui, o seu profundo reconhecimento à boa gente ibero americana e do longínquo oriente, que tão bem o acompanhou, e ao Doutor David Prado (líder, patrono e amigo de faro excepcional para descobrir e incitar potenciais criativos) e, muito particularmente, à Violante Romão, musa inspiradora desta aventura memorável.

Formador de Professores – CCPFC – Desempenha a actividade até 2005, nas áreas de Artes Visuais, Expressões e Criatividade, Animação de Grupos, Relação Pedagógica e Relações Interpessoais. Condicionantes de diversa ordem levam a resultados pouco satisfatórios. As expectativas “renovadoras” da educação não perpassam a hipótese, pois os graus de resistência, a acomodação e a insegurança, muita carência emocional, favorecem o status. O esforço a despender é ciclópico e os resultados vislumbram-se pouco prometedores. Sabe que nada deve prender a nossa atenção por muito tempo, pelo que procura alternativas capazes de propiciar-lhe alguma satisfação. Pára, escuta e olha…e não se sai mal. Com o distanciamento da realidade percebe que teoria demasiada bloqueia a acção e empasta a verdade. Desloca, então, os seus esforços para o próprio desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. Aí, revela-se o extraordinário: começa a aperceber-se da necessidade de manter-se atento ao mundo que o rodeia, de reaprender e usufruir das sincronidades da Vida, de despender o tempo necessário para analisar os acontecimentos.

Reconciliação – Paulatinamente, num ritmo próprio, começa por cultivar as duas condições essenciais ao desenvolvimento pessoal: 1) paciência e 2) tolerância – mesmo para com os néscios artífices da muito in “Tolerância Zero”). Com o desenrolar do processo (renascimento renovado) vai entendendo que a qualidade da Existência não provém da satisfação de vontades fugazes nem de apego a crenças, a coisas e pessoas, muito menos da acção de entidades externas, mas da libertação conquistada com o desenvolvimento de aptidões que lhe permitem pôr em causa o estreito “mundo objectivo”, exaurido de alma, beleza e contentamento, pois, antagónico à comunhão entre o indivíduo e a força criadora existente em tudo. O “objectivismo”, separa-se de Ser, Família e Vida quotidiana, para ajustar-se ao “admirável mundo novo” da nomenclatura tecnológica, dos cartões e chips electrónicos que, a breve trecho, podem devassar o mais íntimo de cada pessoa. Na verdade, a compreensão materialista de Vida esbarra com as próprias limitações da ciência determinista. Não investiga os campos importantes da mística e do sentido da Vida, desliga o Ser das suas raízes sagradas, corta-lhe a ligação à própria transcendência / metafísica, fá-lo correr para a agitação.

Crescimento Pessoal e Auto-conhecimento – Novas percepções da realidade e da espiritualidade autêntica, a fonte de (re)conciliação entre os mundos dos prazeres (da revelação das potencialidades ilimitadas) e das exigências interiores (das reivindicações da intuição). Por isso, entende a espiritualidade que teme o Deus Homem, um despropósito, pois a espiritualidade verdadeira e única, imana da própria INTUIÇÃO – omnipresença a glorificar acima de qualquer ciência ou religião. Intuição é manifestação suprema do Infinitamente Belo e do Todo-Poderoso de que todos partilhamos, sem ser obrigados a confissões, mas a sinceridade e dignidade. Saber usar a intuição é pensar e falar verdade, garantir a permanência do Céu no único lugar onde existe: dentro de cada um. (Foi Cristo quem anunciou que o reino dos céus não estava no exterior, mas dentro de nós).



QUESTÃO PERTINENTE

Pensar verdade, independentemente das aparências, é laborioso e exige dispêndio de mais energia do que qualquer outro trabalhador é chamado a despender” – Wallace Wattles, 1908, Health Through New Thought and Fasting.

A inabilidade para pensar verdade é uma das consequências da acumulação de carências nos domínios pessoais da autenticidade e harmonia relacional (intra e interpessoal) impeditiva de espontaneidade nas expressões de emoções e afectos. No contexto energético, isso significa existência de bloqueios nos fluxos vibracionais positivos por demasiada influência das aptidões do pólo energético Yang – masculino, vigoroso, denso, linear, competitivo. Na arquitectura do pensamento, e face à dualidade da Natureza, qualquer excesso unilateral faz propender para a instabilidade, especificamente, no que concerne a assertividade e cognição do indivíduo. Desequilíbrios na intercomunicação dos dois hemisférios impossibilitam as competências de previsão, por exemplo, de como os comportamentos presentes podem condicionar o futuro. (No mundo ocidental, as energias Yang têm paralelo nos desempenhos do hemisfério cerebral esquerdo).

Os mais integrados na matéria compreendem a ligação comum entre Ser e Universo, a construção da Natureza e a relação dos acontecimentos como rede de relações de energia. Se “extrapolarmos” a dinâmica dos campos energéticos para o nosso planeta – organismo vivo e universal, nossa casa exclusiva – podemos deduzir que a actual situação de desordem global se manifesta na economia e finança, afecta as nossas Vidas em geral, mas é mais do que essa pequenez, uma suma “reivindicação” de sustentação da Vida, de auto regeneração, de reequilíbrio energético, por que não, de um novo ciclo vital. Dito de uma forma mais prosaica, o planeta precisa, agora, de auto curar-se e vai injectar-se com a energia de contraste do pólo energético Yin, arquetipicamente feminino – domínios da atenção, afectividade, bom senso e ética, visão global e competência. (No ocidente as energias Yin conotam-se com as especificidades do hemisfério cerebral direito). Eis, a questão pertinente: estão aqueles – jovens promissores de ontem – hoje incumbidos do valioso mister de educar, instruir, formar, aperfeiçoar, governar, em condições de tornar relevante o seu legado!?

Docente universitário de Pós Graduações em Criatividade – Instituto Avanzado de Creatividad Aplicada Total (IACAT) / Universidade Fernando Pessoa (UFP) – “Imaginação ao Poder” deve ser uma permanência e uma finalidade, uma motivação e uma incumbência, inspiração de Vida. É a via que mais possibilita a extensão das fronteiras do pensamento e o entendimento integral do Ser. Mais imaginação e menos poder, poderá levar a que, Ciência, Política e Religião considerem o mundo em termos de dinâmica energética e de ligações ininteligíveis, valorizem as emoções mais do que o interesse, se empenhem na difusão do Progresso, mais do que na exclusão das investigações que não se ajustem às teorias dominantes. “Imaginação ao Poder”, longe de ser um delírio romântico, é, seguramente, um mote precioso, porque apela à abertura de espírito suficiente para podermos abarcar as nossas realidades sob uma visão ampla que não deixe que as perspectivas se fechem. A experiência confirma-lhe a relevância dos ideais criadores no contexto vital – processos de regeneração da Humanidade – e o seu particular desempenho no questionamento das explicações científicas convencionais, e na afirmação da metafísica, nomeadamente o seu posicionamento numa linha legítima de investigação.

Membro do Conselho Consultivo da Associação Educativa para o Desenvolvimento da Criatividade – Distinção de fundador que lhe cabe honrar.

Membro da ALUBRAT - Associação Luso Brasileira de Transpessoal

Actividade principal conjugadaMentalismo (*) / Parapsicologia Clínica, Terapia Criativa Transpessoal e Aconselhamento para o Desenvolvimento Criativo e Transformação Pessoal. Outras, por conexão: Palestras e Colóquios, Workshops, participações em Painéis de Debate, Cursos de Verão, Dinâmicas de Grupos, que constam, em amostra, do Capítulo VI - “Palestras e Workshops”.

(*) Mentalismo – Prática do poder da mente e reconhecimento da realidade transcendental desde sempre esboçada nas nossas mentes. Nomes relacionados com o tema: Hermes Trimegisto, Sócrates e Platão, Emile Coué, Franz Mesmer, Carl Jung, Pierre Weil, Daniel Goleman...



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